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Composições de custo na engenharia civil: como criar do zero no OrçaFascio

Como montar composições de custo unitário para obras públicas: quando usar bases oficiais, quando criar a sua própria com respaldo técnico e como justificar cada coeficiente segundo TCU, Decreto 7.983/2013 e Lei 14.133/2021.

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Eliseu Lobato
· 20 de abril de 2026 · 9 min de leitura

A composição de custo unitário é o coração de qualquer orçamento de obra. Ela detalha, serviço a serviço, quais insumos são necessários, em que quantidade e a que custo. É também o primeiro documento que fiscais do TCU analisam quando questionam uma proposta — e, em obra pública, cada linha precisa estar amparada em uma fonte que você consiga citar.

Criar composições corretas não é só uma questão técnica — é uma questão estratégica. E há uma ordem certa para fazer isso: primeiro procurar nas bases oficiais, e só criar a sua própria quando não houver alternativa.

O que é uma composição analítica

Uma composição analítica discrimina todos os recursos necessários para executar uma unidade de serviço. Ela responde à pergunta: “quanto custa, exatamente, fazer 1 m² de revestimento cerâmico?”

Os quatro elementos que compõem toda composição:

  • Mão de obra — equipe necessária com os encargos sociais correspondentes
  • Materiais — insumos com especificação, quantidade e percentual de perda
  • Equipamentos — horas de utilização de máquinas e ferramentas
  • Produtividade — rendimento da equipe por unidade de medida (m², m³, m, un)

Por que isso importa? O TCU audita as composições comparando-as com o SINAPI e com referências técnicas reconhecidas. Composições sem fundamentação são o principal argumento para impugnação ou glosa de pagamentos.

A hierarquia das fontes: use a base oficial antes de criar a sua

Este é o ponto que separa quem entende de orçamento público de quem improvisa. Em obra pública, você não começa criando composição — você começa procurando a composição pronta na base oficial certa. A base correta depende da fonte de financiamento da obra.

Obras com recursos federais

O Decreto nº 7.983/2013 define a ordem de referência:

  • SINAPI — Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (mantido pela CAIXA com o IBGE), referência para obras e serviços de construção civil em geral (art. 3º)
  • SICRO — Sistema de Custos Referenciais de Obras (mantido pelo DNIT), referência para infraestrutura de transportes (art. 4º)

A Lei 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), no art. 23, §2º, reforça e ordena essa lógica para o valor estimado:

  1. Inciso I — composição de custos unitários menores ou iguais à mediana do SINAPI (demais obras) ou do SICRO (infraestrutura de transportes)
  2. Inciso II — dados de pesquisa em mídia especializada, tabela de referência formalmente aprovada pelo Poder Executivo federal ou sítios eletrônicos especializados (com data e hora de acesso)
  3. Inciso III — contratações similares da Administração Pública nos últimos 12 meses
  4. Inciso IV — pesquisa na base nacional de notas fiscais eletrônicas

Obras com recursos estaduais ou municipais

Quando a fonte de financiamento não é federal, entram as bases estaduais aprovadas — como ORSE, SEINFRA/SINFRA, EMOP, CDHU, SUDECAP e SICRO estaduais, conforme o ente responsável. A lógica é a mesma: existe uma base oficial de referência, e ela vem antes de qualquer composição própria.

Guarde esta ideia: composição própria é exceção, não regra. Ela só se justifica quando o serviço não existe na base oficial aplicável à obra.

Como criar uma composição própria do jeito certo

Chegou a situação legítima: o serviço não está em nenhuma base oficial. Agora você pode criar a sua composição — mas há um jeito certo de fazer isso, e ele não é “montar do zero”.

1. Parta da composição oficial mais parecida

Nunca crie uma composição inteira do nada quando existe algo próximo na base. Pegue a composição oficial mais similar ao serviço e use-a como esqueleto: aproveite os coeficientes de produtividade e de consumo já validados e altere apenas o que realmente muda.

O próprio Decreto 7.983/2013 caminha nesse sentido (arts. 5º e 6º): quando o SINAPI/SICRO não cobrem o serviço, recorre-se a outros sistemas de referência, publicações técnicas especializadas ou pesquisa de mercado — e, sempre que possível, aproveitam-se os custos de insumos já constantes das bases oficiais.

Por que isso é decisivo? Porque toda composição própria exige uma justificativa — a memória de cálculo que explica o que foi feito, como foi feito e de onde veio cada número. E não há defesa técnica melhor do que dizer: “usei os coeficientes da composição X do SINAPI e ajustei apenas o item Y”. Você defende quase toda a peça com uma fonte oficial e concentra a justificativa em um único ponto.

2. Insumo que não existe? Entre com cotação de mercado

O caso mais comum de composição própria é quando falta um insumo específico — um material ou equipamento que a base não tem. A solução não é abandonar a base:

  1. Selecione a composição oficial mais próxima
  2. Mantenha toda a estrutura, coeficientes e demais insumos
  3. Substitua apenas o insumo faltante por uma cotação de mercado documentada (no mínimo três cotações)
  4. Justifique a troca na memória de cálculo

Assim você altera só o que precisa mudar, e não a composição inteira. Usar a base oficial pura não funcionaria (o insumo não existe nela), mas usar uma composição oficial muito similar e trocar um único item — com justificativa — é tecnicamente defensável.

3. Regra de ouro: toda permissão precisa de fonte

Aqui está o princípio que mantém sua composição a salvo de glosa: sempre que você afirmar que algo é permitido, cite a fonte.

  • Vai usar a TCPO para os coeficientes de produtividade? Ela é uma publicação técnica especializada, prevista no art. 6º do Decreto 7.983/2013 e no art. 23, §2º, II, da Lei 14.133/2021.
  • Vai definir o BDI e os encargos sociais? O parâmetro consolidado é o Acórdão 2622/2013-TCU-Plenário.
  • Vai adotar um insumo por cotação de mercado? O respaldo está nos arts. 5º e 6º do Decreto 7.983/2013.

Sem fonte, é opinião. Com fonte, é defesa técnica. Em obra pública, a diferença entre uma proposta aceita e uma glosa costuma estar exatamente aí.

Criando uma composição no OrçaFascio

Com a fonte definida, o preenchimento no OrçaFascio segue esta sequência.

Passo 1 — Defina a unidade de medida

Antes de qualquer outro campo, determine a unidade correta do serviço:

  • m² → revestimentos, pinturas, impermeabilizações
  • m³ → estruturas de concreto, escavações, aterros
  • m → tubulações, calhas, perfis metálicos
  • un → esquadrias, pontos elétricos, peças pré-fabricadas

Errar a unidade invalida toda a composição — e é um erro mais comum do que parece.

Passo 2 — Monte a equipe produtiva

Insira os profissionais necessários com seus respectivos encargos sociais. O OrçaFascio já traz tabelas de encargos pré-configuradas conforme a legislação vigente.

Não modifique os percentuais de encargo sem justificativa técnica documentada. O regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) impacta diretamente as alíquotas — use o regime correto para cada contrato.

Passo 3 — Quantifique os materiais

Para cada insumo, preencha:

  • Código SINAPI (quando existir)
  • Quantidade por unidade de serviço — calculada a partir dos projetos
  • Percentual de perda — nunca omita esse campo; o TCU questiona composições sem índice de perda declarado

As perdas variam conforme o material: cerâmica (8–12%), argamassa (15–20%), concreto (2–5%). Use os valores da literatura técnica ou histórico próprio documentado.

Passo 4 — Insira os equipamentos

Equipamentos são cobrados por hora produtiva — não por hora disponível. A diferença é importante:

  • Para equipamentos pesados (retroescavadeiras, guindautos), consulte a tabela SICRO
  • Para equipamentos de obras verticais (betoneiras, compactadores), use a tabela SINAPI
  • Para ferramentas manuais, utilize percentual sobre a mão de obra (em geral, 2–5%)

Passo 5 — Valide a produtividade

A produtividade é o campo mais auditado de qualquer composição. O valor informado precisa ser tecnicamente justificável.

Fontes aceitas:

  • Tabela TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos) — publicação técnica especializada
  • Composições analíticas do próprio SINAPI
  • Histórico de obras similares da empresa, documentado

Nunca invente produtividades. Uma produtividade fora da realidade é sinal imediato de inconsistência — e abre espaço para questionamento.

Como aplicar tudo isso na prática (com apoio de IA)

Todo esse processo — encontrar a composição oficial mais parecida, aproveitar seus coeficientes e ajustar só o necessário — é exatamente o tipo de tarefa repetitiva onde a IA acelera sem tirar o controle técnico do orçamentista.

No nosso guia sobre qual a melhor IA para orçamento de obras, detalhamos como escolher a ferramenta certa para cada etapa. No caso específico das composições, o OrçaFascio tem um recurso de inteligência artificial que cria composições de preço unitário a partir das composições de bases oficiais, e faz a substituição por correlação semântica — ou seja, encontra na base a composição oficial que mais se aproxima do serviço descrito, mesmo quando o texto não é idêntico.

Na prática, é a IA entregando pronto o “esqueleto” oficial que a sua justificativa precisa: você parte de uma composição amparada em base reconhecida e concentra o ajuste no ponto que realmente muda — o insumo por cotação, o coeficiente específico. Menos tempo montando do zero, mais tempo defendendo a peça com fonte.

Erros que custam caro

Os erros mais comuns em composições auditadas pelo TCU:

  1. Omitir o percentual de perdas de material — presumido como zero, o que não é realista
  2. Encargos sociais incompatíveis com o regime tributário — Simples Nacional tem alíquotas menores que Lucro Real
  3. Composição sem referência no SINAPI sem cotação de mercado — itens extra-SINAPI precisam de, no mínimo, três cotações documentadas
  4. Criar composição própria existindo item na base oficial — inverte a hierarquia do Decreto 7.983/2013 e da Lei 14.133/2021, e enfraquece a proposta
  5. Informar produtividade ou coeficiente sem citar a fonte — sem memória de cálculo com origem, o item fica indefensável

Dominar composições é o que separa um orçamentista mediano de um que vence licitações. Na Ponta Consultoria, treinamos equipes de ponta a ponta no OrçaFascio — conheça nossos cursos.

Perguntas Frequentes

O que é uma composição analítica de custo unitário na engenharia civil?
É o documento que discrimina todos os recursos necessários para executar uma unidade de serviço — mão de obra com encargos, materiais com percentual de perda, equipamentos por hora de uso e produtividade. Ela responde, por exemplo, quanto custa exatamente executar 1 m² de revestimento cerâmico.
Quando posso criar uma composição de preço própria em vez de usar uma base oficial?
Só quando o serviço não existir nas bases oficiais aplicáveis à obra. Em obras com recursos federais, a prioridade é SINAPI (construção civil) e SICRO (infraestrutura de transportes), conforme o Decreto 7.983/2013. Composição própria é exceção, não regra: ela só se justifica quando não há item equivalente na base oficial, e mesmo assim o ideal é aproveitar coeficientes de composições oficiais já existentes.
Como inserir um insumo que não existe na base oficial dentro de uma composição?
Pegue a composição oficial mais parecida com o serviço, mantenha os coeficientes de produtividade e consumo já validados e substitua apenas o insumo faltante por uma cotação de mercado documentada (no mínimo três cotações). Assim você altera só o que precisa mudar, não a composição inteira, e mantém a maior parte da peça amparada em referência oficial. O respaldo está nos arts. 5º e 6º do Decreto 7.983/2013 e no art. 23 da Lei 14.133/2021.
Posso usar a TCPO para os coeficientes de produtividade em obra pública?
Sim. A TCPO é uma publicação técnica especializada, e o uso desse tipo de fonte é previsto no art. 6º do Decreto 7.983/2013 e no art. 23, §2º, II, da Lei 14.133/2021 para itens não cobertos pelo SINAPI/SICRO. O importante é sempre declarar a fonte do coeficiente na memória de cálculo — nunca informar produtividade sem origem.
Como o TCU audita as composições de custo em licitações de obras?
O TCU compara as composições com o SINAPI e com referências técnicas reconhecidas. Os principais alvos de impugnação são a omissão do percentual de perdas de material, encargos sociais incompatíveis com o regime tributário e produtividades fora da realidade técnica. Para BDI e encargos, o parâmetro consolidado é o Acórdão 2622/2013-TCU-Plenário.

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  • Obras com recursos estaduais ou municipais
  • Como criar uma composição própria do jeito certo
  • 1. Parta da composição oficial mais parecida
  • 2. Insumo que não existe? Entre com cotação de mercado
  • 3. Regra de ouro: toda permissão precisa de fonte
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  • Passo 1 — Defina a unidade de medida
  • Passo 2 — Monte a equipe produtiva
  • Passo 3 — Quantifique os materiais
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