A composição de custo unitário é o coração de qualquer orçamento de obra. Ela detalha, serviço a serviço, quais insumos são necessários, em que quantidade e a que custo. É também o primeiro documento que fiscais do TCU analisam quando questionam uma proposta.
Criar composições corretas não é só uma questão técnica — é uma questão estratégica.
O que é uma composição analítica
Uma composição analítica discrimina todos os recursos necessários para executar uma unidade de serviço. Ela responde à pergunta: “quanto custa, exatamente, fazer 1 m² de revestimento cerâmico?”
Os quatro elementos que compõem toda composição:
- Mão de obra — equipe necessária com os encargos sociais correspondentes
- Materiais — insumos com especificação, quantidade e percentual de perda
- Equipamentos — horas de utilização de máquinas e ferramentas
- Produtividade — rendimento da equipe por unidade de medida (m², m³, m, un)
Por que isso importa? O TCU audita as composições comparando-as com o SINAPI e com referências técnicas reconhecidas. Composições sem fundamentação são o principal argumento para impugnação ou glosa de pagamentos.
Criando uma composição no OrçaFascio
Passo 1 — Defina a unidade de medida
Antes de qualquer outro campo, determine a unidade correta do serviço:
- m² → revestimentos, pinturas, impermeabilizações
- m³ → estruturas de concreto, escavações, aterros
- m → tubulações, calhas, perfis metálicos
- un → esquadrias, pontos elétricos, peças pré-fabricadas
Errar a unidade invalida toda a composição — e é um erro mais comum do que parece.
Passo 2 — Monte a equipe produtiva
Insira os profissionais necessários com seus respectivos encargos sociais. O OrçaFascio já traz tabelas de encargos pré-configuradas conforme a legislação vigente.
Não modifique os percentuais de encargo sem justificativa técnica documentada. O regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) impacta diretamente as alíquotas — use o regime correto para cada contrato.
Passo 3 — Quantifique os materiais
Para cada insumo, preencha:
- Código SINAPI (quando existir)
- Quantidade por unidade de serviço — calculada a partir dos projetos
- Percentual de perda — nunca omita esse campo; o TCU questiona composições sem índice de perda declarado
As perdas variam conforme o material: cerâmica (8–12%), argamassa (15–20%), concreto (2–5%). Use os valores da literatura técnica ou histórico próprio documentado.
Passo 4 — Insira os equipamentos
Equipamentos são cobrados por hora produtiva — não por hora disponível. A diferença é importante:
- Para equipamentos pesados (retroescavadeiras, guindautos), consulte a tabela SICRO
- Para equipamentos de obras verticais (betoneiras, compactadores), use a tabela SINAPI
- Para ferramentas manuais, utilize percentual sobre a mão de obra (em geral, 2–5%)
Passo 5 — Valide a produtividade
A produtividade é o campo mais auditado de qualquer composição. O valor informado precisa ser tecnicamente justificável.
Fontes aceitas pelo TCU:
- Tabela TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos)
- Composições analíticas do próprio SINAPI
- Histórico de obras similares da empresa, documentado
Nunca invente produtividades. Uma produtividade fora da realidade é sinal imediato de inconsistência — e abre espaço para desclassificação.
Erros que custam caro
Os três erros mais comuns em composições auditadas pelo TCU:
- Omitir o percentual de perdas de material — presumido como zero, o que não é realista
- Encargos sociais incompatíveis com o regime tributário — Simples Nacional tem alíquotas menores que Lucro Real
- Composição sem referência no SINAPI sem cotação de mercado — itens extra-SINAPI precisam de, no mínimo, três cotações documentadas
Dominar composições é o que separa um orçamentista mediano de um que vence licitações. Na Ponta Consultoria, treinamos equipes de ponta a ponta no OrçaFascio — conheça nossos cursos.