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Engenharia · engenhariaOrçaFasciocomposições

Composições de custo na engenharia civil: como criar do zero no OrçaFascio

Guia passo a passo para montar composições analíticas de custo unitário no OrçaFascio, com critérios técnicos que atendem às exigências de licitações públicas.

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Eliseu Lobato
· 20 de abril de 2026 · 4 min de leitura

A composição de custo unitário é o coração de qualquer orçamento de obra. Ela detalha, serviço a serviço, quais insumos são necessários, em que quantidade e a que custo. É também o primeiro documento que fiscais do TCU analisam quando questionam uma proposta.

Criar composições corretas não é só uma questão técnica — é uma questão estratégica.

O que é uma composição analítica

Uma composição analítica discrimina todos os recursos necessários para executar uma unidade de serviço. Ela responde à pergunta: “quanto custa, exatamente, fazer 1 m² de revestimento cerâmico?”

Os quatro elementos que compõem toda composição:

  • Mão de obra — equipe necessária com os encargos sociais correspondentes
  • Materiais — insumos com especificação, quantidade e percentual de perda
  • Equipamentos — horas de utilização de máquinas e ferramentas
  • Produtividade — rendimento da equipe por unidade de medida (m², m³, m, un)

Por que isso importa? O TCU audita as composições comparando-as com o SINAPI e com referências técnicas reconhecidas. Composições sem fundamentação são o principal argumento para impugnação ou glosa de pagamentos.

Criando uma composição no OrçaFascio

Passo 1 — Defina a unidade de medida

Antes de qualquer outro campo, determine a unidade correta do serviço:

  • m² → revestimentos, pinturas, impermeabilizações
  • m³ → estruturas de concreto, escavações, aterros
  • m → tubulações, calhas, perfis metálicos
  • un → esquadrias, pontos elétricos, peças pré-fabricadas

Errar a unidade invalida toda a composição — e é um erro mais comum do que parece.

Passo 2 — Monte a equipe produtiva

Insira os profissionais necessários com seus respectivos encargos sociais. O OrçaFascio já traz tabelas de encargos pré-configuradas conforme a legislação vigente.

Não modifique os percentuais de encargo sem justificativa técnica documentada. O regime tributário da empresa (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) impacta diretamente as alíquotas — use o regime correto para cada contrato.

Passo 3 — Quantifique os materiais

Para cada insumo, preencha:

  • Código SINAPI (quando existir)
  • Quantidade por unidade de serviço — calculada a partir dos projetos
  • Percentual de perda — nunca omita esse campo; o TCU questiona composições sem índice de perda declarado

As perdas variam conforme o material: cerâmica (8–12%), argamassa (15–20%), concreto (2–5%). Use os valores da literatura técnica ou histórico próprio documentado.

Passo 4 — Insira os equipamentos

Equipamentos são cobrados por hora produtiva — não por hora disponível. A diferença é importante:

  • Para equipamentos pesados (retroescavadeiras, guindautos), consulte a tabela SICRO
  • Para equipamentos de obras verticais (betoneiras, compactadores), use a tabela SINAPI
  • Para ferramentas manuais, utilize percentual sobre a mão de obra (em geral, 2–5%)

Passo 5 — Valide a produtividade

A produtividade é o campo mais auditado de qualquer composição. O valor informado precisa ser tecnicamente justificável.

Fontes aceitas pelo TCU:

  • Tabela TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos)
  • Composições analíticas do próprio SINAPI
  • Histórico de obras similares da empresa, documentado

Nunca invente produtividades. Uma produtividade fora da realidade é sinal imediato de inconsistência — e abre espaço para desclassificação.

Erros que custam caro

Os três erros mais comuns em composições auditadas pelo TCU:

  1. Omitir o percentual de perdas de material — presumido como zero, o que não é realista
  2. Encargos sociais incompatíveis com o regime tributário — Simples Nacional tem alíquotas menores que Lucro Real
  3. Composição sem referência no SINAPI sem cotação de mercado — itens extra-SINAPI precisam de, no mínimo, três cotações documentadas

Dominar composições é o que separa um orçamentista mediano de um que vence licitações. Na Ponta Consultoria, treinamos equipes de ponta a ponta no OrçaFascio — conheça nossos cursos.

Perguntas Frequentes

O que é uma composição analítica de custo unitário na engenharia civil?
É o documento que discrimina todos os recursos necessários para executar uma unidade de serviço — mão de obra com encargos, materiais com percentual de perda, equipamentos por hora de uso e produtividade. Ela responde, por exemplo, quanto custa exatamente executar 1 m² de revestimento cerâmico.
Quais são os quatro elementos obrigatórios de uma composição de custo?
Toda composição precisa de: (1) mão de obra com encargos sociais corretos para o regime tributário da empresa, (2) materiais com especificação e percentual de perda, (3) equipamentos por hora de utilização e (4) produtividade da equipe por unidade de medida do serviço.
Como o TCU audita as composições de custo em licitações de obras?
O TCU compara as composições com o SINAPI e com referências técnicas reconhecidas como a tabela TCPO. Os principais alvos de impugnação são: omissão do percentual de perdas de material, encargos sociais incompatíveis com o regime tributário e produtividades fora da realidade técnica.
O que fazer quando um serviço não tem composição no SINAPI?
Itens extra-SINAPI precisam de no mínimo três cotações de mercado documentadas. A composição alternativa deve ser justificada tecnicamente e apresentada junto à planilha orçamentária. Sem essa documentação, a comissão tem fundamento técnico para questionar ou glosar o item.
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Eliseu Lobato

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4 min de leitura · 610 palavras

Neste artigo

  • O que é uma composição analítica
  • Criando uma composição no OrçaFascio
  • Passo 1 — Defina a unidade de medida
  • Passo 2 — Monte a equipe produtiva
  • Passo 3 — Quantifique os materiais
  • Passo 4 — Insira os equipamentos
  • Passo 5 — Valide a produtividade
  • Erros que custam caro
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